São Paulo

Antes de mais nada, escrevo este post depois de passar quase 3 horas no trânsito de marginal+Airton Senna em véspera de feriado, sendo hostilizada por motoboys malditos, caminhões monstruosos e motoristas sem mãe.

Eu juro que tentei, eu juro! Mas tá difícil, São Paulo. Eu passei um mês sem dizer que te odeio, que odeio seu trânsito, que odeio sua sujeira, que odeio ver a tua pobreza crua, que odeio o cheiro de fumaça, que odeio seus motoboys, sua pressa, seu stress, sua solidão, seu cinza, suas putas e michês, seus mendigos dormindo nas calçadas, cantos, esquinas, pontes, viadutos, escadas, portas, beirais, soleiras, seus loucos, suas buzinas, o ronco de seus motores, seus carros correndo, suas caras fechadas, seus maus humores, seus silêncios, suas indiferenças, seu papo sobre trabalho, trabalho trabalho trabalho, seus cobradores entediados, seus motoristas de ônibus impacientes, seus corredores de ônibus, seus ônibus e metrô lotados, seus shoppings fúteis, seus modernos pescoçudos, seus óculos retrôs, suas baladas viradas, seus tênis adidas, seus executivos em carrões, suas mulheres de óculos escuros em SUVs sempre avançando nas faixas de pedestres, lixo por todos os lados, fachadas sujas, poeira preta, pichações, odeio tudo isso e tudo mais que me oprime e que é o avesso, não do avesso, mas o avesso do que eu sou e do que eu quero ser e viver.

Agora me pergunto: porque achei que conseguiria conviver com isso?