Fernando de Noronha – dia 1

Diferente da primeira vez em que estive aqui, a vila agora tem restaurantes, bares, lojinhas. Carros e motos circulam, não somente “bugres”. Nenhuma vaca ou cabra pastando pelas ruas. O avião é de carreira, não o Brasília não pressurizado. Bares com lounge tocando tecno impessoal, não o forró da banda Magníficos. Turistas franceses, não paulistas. Iluminação pública não estrelas.

Continua o mesmo o por do sol na praia da Conceição: ondas perfeitas, gaivotas gigantes mergulhando e pescando, o céu laranja, o barco de pesca. A água tão limpa, tão limpa, que dá pra ver os peixes nas ondas que se formam, as arraias no fundo se confundindo com a areia.

Também continua a mesma a pobreza dos nativos.

Saio do mar, meio enrolada na minha canga, e ainda molhada e pingando vou subindo uma escada, achando que estou saindo da praia. Na verdade estou passando pelo Bar do Meio. Pequenos nichos de deck de madeira com sofás e almofadas, parecidos com pequenas jaulas onde gringos com cara entediada me encaram num misto de espanto e curiosidade. Me sinto deslocada, mal dentro do meu próprio país no meio dos gringos. Chego no bar, bastante movimentado. Um italiano me mede e fica me encarando com cara de tarado. Acho que está me confundindo com uma puta. Encontro um banco para me enxugar, bater a areia e calçar uma sandália. Sinto fome, peço o cardápio pra uma moça que parece ser a gerente. Antipática, com um sotaque estrangeiro, me diz que só tem uma mesa livre. Vejo várias. Um sanduíche natural custa R$45,00!!!! É o item mais barato. Saio dali enojada e revoltada. “Gringaiada do caramba, vai gentrificar a casa do caralho!”. Vou andando e no caminho um casal me oferece carona de “bugre”. Aceito. Estão em lua-de-mel. Alugaram o bugre por dois dias a R$200,00 a diária mais a gasolina. Desço no centro da Vila dos Remédios, compro um açaí de 600ml por R$22,00. Volto a pé. 

Passo no mercado, água só em garrafas de 500ml a R$2,60. Chego no meu quarto exausta, faminta. Contabilizo os ralados nos joelhos e braços. Foram tantos jacarés que peguei! Meus olhos estão pesados, minha pele ardida. Não passei protetor. Abro um pacote de bolacha que trouxe de Mogi. Essa é minha janta. Estou capotando…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s