Isamu Kitahara, ou ditchan. Demorei para saber que ditchan não era o nome do meu vovô japonês, mas na verdade é como se fala avô em japonês. O ditchan se chamava Isamu Kitahara, ou como ele preferiu ser chamado a vida toda, Nelson Kitahara.

Eu não sei quase nada sobre ele. Sei que era querido, que veio sozinho do Japão quando era um mocinho de 17 anos, nunca mais voltou e nunca mais viu os pais ou os irmãos. Gostava de basebol, nas fotos é o único de terno. Comeu num penico pensando que era uma cuia. Foi taxista, motorista de carro particular. Trabalhou na Howa. Foi preso no DOPS durante a Segunda Guerra, onde ficou dois anos. Teve todos seus bens confiscados. Seu melhor amigo era um sapateiro, negro, violonista chamado Acácio. Morreu de um derrame quando eu tinha três anos. Lembro que ele vinha em casa visitar a gente e nos levava até no boteco pra comprar chocolate de moedinha da Lacta, aquele que vinha num tubinho vermelho laminado ou chocolate Pan de guarda-chuva. Também podia ser os cigarrinhos. Só lembro das mãos grandes segurando as minhas bem pequenininhas e de um sentimento de alegria ao saber que ele tinha chegado.

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