Gol!

Menino Marcos Vinícius, que morreu assassinado pelo Estado Brasileiro, através de suas forças armadas, a caminho da escola, em véspera de jogo do Brasil,

É muita tristeza pra gente aguentar e seguir acreditando que o Brasil é um país, então a gente vira a cara pra TV e finge que a coisa mais importante na vida é um outro menino marcar um gol. Por 90 minutos a gente esquece, esquece que igual a você tem vários outros todos os dias, que tem crianças separadas dos pais, que tem crianças vivendo o terror. A gente esquece e grita gol! E o grito ecoa nas terras de um país de sonho que não existe. Eu espero que você esteja lá agora em paz. 😢

Caminhando em Quebéc

Às vezes é solitário viver.

– Caetano Veloso

Dia longo, trabalhei das 9h às 17h com uma pausa de duas horas para o almoço. Trabalho encerrado, andei das 17h50 às 22h, quatro horas e dez minutos. Quantos passos eu dei? Não sei. Comecei no parque Plaines d’Abrahan.

Fui andando sem destino certo em direção ao rio. Encontrei uma escadaria de madeira e resolvi descer. Quanto mais descia, mais degraus apareciam, até o ponto em que voltar se tornaria uma tarefa difícil. Resolvi continuar.

Cheguei numa longa avenida com casas à esquerda ao longo da encosta e o rio à direita. Sabia que se continuasse chegaria à cidade velha, então segui na ciclovia, atenta para não atrapalhar os ciclistas. E ciclistas de todas as idades passaram por mim. Aqui as pessoas vivem. Carros caros, conversíveis passam por mim. Um sentimento estranho, um pudor. Como é que essas pessoas andam por aí ostentando extrema riqueza assim tão sem culpa?? Sinto que não pertenço a esse lugar e começo a acelerar o passo que antes era lento e contemplativo. Finalmente chego à cidade velha, ao pedaço turístico, fechado para carros. Por sorte, poucas pessoas por enquanto. A maioria das lojas fechadas. Essa área é tão pitoresca, mas sem vida. Tudo tão perfeito que parece um cenário artificial. As ruas de granito, não são o pé-de-moleque original, as pedras são perfeitamente assentadas para os turistas não escorregarem. Mesmo assim, me agrada a arquitetura histórica. Ando a esmo a procura de um café para sentar e tentar me aquecer, pois o vento frio começa a piorar, sem o quentinho do sol que vai se pondo. Tomei um latte d’érable, ou um café com leite e xarope daquela árvore símbolo do Canadá, acompanhado de uma fatia de bolo de chocolate. Energia renovada, caminhei mais um pouco até que me deparei com a sede do Ghost Tours, um passeio a pé com um guia vestido à caráter, que vai contando casos de fantasmas e mortes ocorridos ao longo da história da cidade. Como faltavam poucos minutos para o passeio começar, resolvi fazer.

Foi interessante, andei por ruas que ainda não havia explorado e aprendi coisas novas sobre a cidade. Voltei pra casa, reconhecendo lugares por onde passei no ano passado, sentindo o frio no rosto e um pouco de solidão.