Cansada.
Triste.
Nada.
Vazio.
Saudades.
Sinto.
Escondo.
Sofro.
Dói.
Muito.
Acabar.
Logo.
Quero.
Nunca.
Mais.
Voltar.
Coragem.
É o que ela quer.
É o que eu não tenho.
.
.
Um brinde à vida e à lua.
Cansada.
Triste.
Nada.
Vazio.
Saudades.
Sinto.
Escondo.
Sofro.
Dói.
Muito.
Acabar.
Logo.
Quero.
Nunca.
Mais.
Voltar.
Coragem.
É o que ela quer.
É o que eu não tenho.
.
.
Um brinde à vida e à lua.
A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
a história de uma estrela
que não tinha namorado.Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava pra ela,
e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.A lua ficou tão triste
com aquela história de amor,
que até hoje a lua insiste:
– Amanheça, por favor!Paulo Leminski
“Pois na verdade, o sonho é a maneira de pessoas bem-educadas cometerem suicídio”. – Karen Blixen
Hoje eu tô naqueles dias, naqueles dias que acordo atrasada, já caindo da cama e ao mesmo tempo já trabalhando, com dor aguda no útero, que tem o exato tamanho de um punho fechado, um murro da natureza dentro de mim. Chorando por qualquer motivo besta, com o coração batendo por baixo da pele, pulsando nas minhas cicatrizes, minhas tatuagens involuntárias. Um rasgo de cima a baixo e outro de lado a lado. A pele repuxada, a gordura esticada, sem tato pra sempre na barriga. Um rasgo no umbigo e outros dois no lado direito. Um rasgo no olho esquerdo. Gargalhando descontroladamente. Contorcendo de cólicas, rolando na cama. Sangrando, sangue escuro, preto, vermelho, na privada, na calcinha, nas pernas. Uivo pro sol e choro pra lua. “Eu ainda sou uma mulher!” – revido pro Tempo. Tempo, esse eterno homem maldito que transforma mulheres em velhas tristes, rejeitadas e assexuadas. “Puto, maldito!” Hoje eu acordei bicho-mulher.
Meu coração tropical está coberto de neve,
mas ferve em seu cofre gelado,
a voz vibra e a mão escreve mar
Aldir Blanc / João Bosco
Solte o sol
Solte
Todo sol
Toda sortePode
que volteSol-te
Paulo Leminski
Tenho fases, como a lua.
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua…
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.E roda a melancolia
seu interminável fuso!Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua…)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua…
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu…Cecília Meireles