É pau, é pedra, tira o pé do caminho

Minha mãe tem uma coleção completa de LP’s de MPB da Editora Abril. É um baita coleção com umas seis caixas, cada uma com uns vinte discos. Esta coleção marcou minha infância e adolescência. Todo sábado minha mãe fazia faxina na casa, abria bem as janelas, botava tudo prá cima e colocava estes discos na vitrola (a vitrola era embutida numa estante muito bacana que infelizmente se perdeu no tempo). Algumas das músicas que me lembro da minha mãe colocar era Xodó de Dominguinhos, na gravação do Gilberto Gil.

Eu adorava, adorava a sanfona e quando ninguém estava me olhando eu pegava uma sanfoninha de brinquedo e fingia que estava tocando. Gostava muito também porque era a música que sempre tocava na fonte luminosa da praça de Caraguatatuba.
Irmãzinhas

Além desta e muitas outras, a minha música preferida de todos os tempos, que minha mãe também tocava bastante era Águas de Março, de Tom Jobim. As primeiras notas do piano, que lembram gotinhas de chuva pingando, até hoje me enchem de uma sensação de extrema felicidade que culmina no final, com aquele jogo de palavras em que a gente percebe nitidamente que a Elis começa a rir, que coisa boa! Lembro especialmente de um dia em que minha mãe, brincando com a gente que estava por ali atrapalhando a limpeza, passou a vassoura nos nossos pés e cantou: “é pau, é pedra, tira o pé do caminho”. Achei a maior graça.

Fui feliz! 🙂

3 comentários sobre “É pau, é pedra, tira o pé do caminho

  1. Eu tb lembro de td isso aí em cima, só que qdo eu ouco Eu Só quero um xodó, eu lembro de você!!!!
    Tem uma vitrolinha a venda aqui por $60 Au que transforma disco em mp3, aí tem alguma baratinha assim? Aí, a gente podia passar toda a colecão pro computador/ipod.
    Bj

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  2. Putz, num sei quanto custa aqui, mas tem também. Uma hora a gente tem que fazer isso! Mas a coleção eu já herdei! 😛

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  3. Bom dia, Cátia.

    E imaginar que eu estava apenas buscando informações sobre o Word Press quando, lançado pela “Roleta do Google”, deparo-me não só com uma baita profissional (web design / design gráfico / ilustrações) mas também com uma mulher sensível, bonita, de extremo bom gosto – notadamente musical – e que não tenho nenhum receio em afirmar: “Uma inteligência procurando espaço”.

    Identifiquei-me na hora com os seus belos textos e em alguns momentos pensei:- Essa garota não só gosta e postou algumas músicas que fizeram/fazem a “trilha sonora” da minha vida como, sobretudo nos seus contos/ensaios etc, de alguma maneira, Cátia, você compôs, por tabela, a “trilha escrita ” de pedacinhos do passado e presente meus que vieram a tona ao ler os seus excelentes “escritos”.

    Até perdi o foco do que eu vim buscar, ou seja, informações básicas, o” bê a bá” para iniciar/abrir um blog, rsrsrsr. É um desejo que alimento, criar um espaço para “jogar conversa fora”, muito embora já participe como colaborador em alguns Blogs de amigos faz um bom tempo.

    Bacana encontra-lhe. Parabéns & Abs !

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