Delícia de experimentador

Como é que vou dizer o que eu sinto? Sou um emaranhado de sentimentos e emoções à flor-da-pele ebulindo a qualquer palavra olhar evento acontecimento. eu sinto sinto sinto sinto, quem me dera não sentir mais nada nada, viver é dor, everybody hurts, sometimes, mas parece que eu dôo o tempo todo, muitas vezes sentir é bom, mas outras era melhor parar por aqui. Daqui por diante nada, branco, nulo, decretado o gelo, a era do gelo, da indiferença. Ah, indiferença, a indiferença dói, fere na alma, fere fundo, fere agudo, fere com ponta, com várias pontas. Eu preciso que você me desaponte muito muito muito muito, por favor faça algo muito ruim imperdoável prá eu poder me livrar de você, da idéia de você, da ilusão de você, pise na bola, vai, você consegue, eu sei que sim, mais cedo mais tarde você vai pisar, você já está quase lá, pise só um pouquinho, não precisa muito, me desiluda, me decepcione, me decepcione, na verdade não é você, sou eu, eu eu eu eu eu eu, eu é mais forte que eu, deve ser químico, isso, só pode ser, talvez uma droga resolvesse, qualquer química, qualquer, mas eu sou careta, eu sou sóbria, eu sou raçuda, pingo sal em ferida, escovo queimadura. Mas eu te rogo essa praga: sinta!

Ver
é dor
ouvir
é dor
ter
é dor
perder
é dor
só doer
não é dor
delícia
de experimentador
Leminski

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