Fogo amigo, confesso, mas não guento duas mulheres que vivem uma egotrip (sempre lembro da música da Blitz) sem limites. Uma posa nua e a outra faz desenhos de si nua. Sempre acompanha um draminha e uma turba de esquerdo macho de pau duro aplaudindo.
Sen hor!! Dai-me paciência!!
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Ok, destilei meu veneno.
Não quero fingir aqui. Fo-da-se! Umas memórias póstumas, sem, é claro, o talento do Machado.
Hoje foi mais um dia bunda, comi um bolo de carne, tomei mais da metade de uma garrafa de vinho que me garantiu uma dor de cabeça fodida, que tentei curar com o café mais forte que já fiz na vida, puro petróleo!
Agora estou meio tonta, não sei se do vinho ainda ou do café.
O Barroso diz que vai votar a cassação da chapa bosta mais merda.
Sei lá o que isso vai representar.
Conversei hoje cedo com a Helô e um pouquinho com a Nina, linda, linda. Concluímos que a pandemia e quarentena não vão acabar, será normalizada. As mortes continuarão, mas ninguém vai ligar mais.
Li um artigo no The Guardian sobre um senhor de mais 70 anos que teve pólio quando era criança e viveu desde então paralisado, dentro de uma caixa de metal, um respirador. Emocionante e impactante. Ele passou por coisas horríveis e sobreviveu. Admiro a vontade de viver das pessoas!
E agora pensei nos suicidas… Lembrei do Vinícius.
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a irmã do Rafa.
Ontem dormi com um cobertor que veio da casa sa minha avó. Tem as iniciais dela bordadas num cantinho.
Vó, penso tanto na senhora. Lágrimas já estão escorrendo.
Uma das coisas que mais me entristece é a possibilidade de nunca mais mesmo nos encontrarmos, nem depois.
Hoje assistimos a um filme sobre a invenção dos sistemas de eletricidade. Muito interessante. O mais triste foi a parte que a mulher de Tomas Edson morre de um aneurisma e ele fica tocando várias vezes a gravação da voz dela num aparelho que ele inventou e que funcionava a manivela.
Não estou me sentindo bem.
Tenho medo disso não passar nunca mais e eu ficar aqui presa com meus pais até que eles morram.
Eu perdi tanto tempo da minha vida, não queria perder mais, justo agora que minha mocidade está acabando.
Sinto que terei problemas para aceitar a velhice.
Às vezes vejo isso no meu pai quando tudo que ele quer é dormir. Ele falou outro dia que todo mundo morreu e que ele é o único que sobreviveu e está durando.
Eu me finjo de boba e mudo de assunto…
Eu não sei como eu aguento tudo isso. Eu não sei como as pessoas aguentam.
Eu me lembro do Ariano Suassuna num documentário que assisti em Caraguá, sozinha quando tudo que pegava na tv era a TV Senado: “o homem é um coitado porque sua vida termina em tragédia”.
Ariano Suassuna era um homem lindo.
“Apenas a matéria vida era tão fina”.
