Primeiro post do ano

Faz tempo que não ando por aqui. Muitas coisas acontecendo. Meu envolvimento com a Comunidade WordPress-BR aumentou depois que Matt Mullenweg, o criador da ferramenta, veio ao Brasil. Conheci pessoas muito bacanas por conta disso, mas meus planos de me dedicar às ilustrações foi prás cucuias. Acho que nunca vou encontrar a paz necessária prá me dedicar somente a isso. E em busca de paz mudei-me provisoriamente para Caraguatatuba. Depois de um final de ano conturbado e tristíssimo. Se o tédio e o provincianismo dessa roça caiçara não me vencerem, ficarei por aqui pelo menos durante o primeiro semestre desse ano.

Poder ir à praia e entrar no mar é uma coisa muito boa. Posso dizer que nesses momentos sou feliz. O azul, a água, as montanhas, o verde me trazem paz, me dá tanta felicidade, tanta. Poder sair na rua de chinelo e shorts ou de biquini também é muito bom. E mesmo a chuva é bom de ouvir (e como tem chovido!), de sentir. Tomei um torózão outro dia, como é bom, não me esconder, não me preocupar se está molhando ou não. Ô chuva boa! Ficar com a janela aberta até tarde, é bom também. Sentir a brisa fresca que vem do mar. Ou ver os raios caindo lá longe e iluminando o céu todo. Ver o morro da varanda. Fazer nada, muito nada. Ouvir música boa – agora estou ouvindo a Souad Massi, cantora algeriana. Não posso reclamar, nem tudo está bom, mas não está ruim de todo.

Em Caraguatatuba acho que passei alguns dos dias mais felizes da minha vida. Na casa da minha avó Geralda, queridíssima, amadíssima, venerada e insubistituível. Mãe de ternura, doçura e bondade como nunca encontrei ninguém nessa vida. Ah, vó, onde está a casa rosa? A mangueira, o coqueiro, as goiabeiras branca e vermelha, o chapéu de sol, suas plantinhas, a hortinha da dona Odete? A dona Odete, Seu Mané e Adriana? Onde está o quartão, o quarto das moças, a garagem, a cozinha, a sala, seu quarto, com a porta semi-aberta e sempre uma luzinha acesa? Cheiro de cânfora. O corredor do lado de fora, a Kombi verde, as varas de pesca, os pedaços de prancha de isopor quebradas, as coleções de Readers Digest, “O Mameluco”, seus recadinhos, a enchente, as noites de carteado, a casa cheia, a foto da família, a estrela-do-mar na parede, as cortinas de chita, a muretinha, a ciranda à noite, o poste de luz, a rua de terra, de lama…

Saudades…

2 comentários sobre “Primeiro post do ano

  1. Mesmo sem nunca ter visitado Caraguatatuba, mesmo sem nunca ter te visto ou visto sua avó, todas essas pessoas, toda essa calmaria…
    Você descreveu TÃO bem q eu pude estar longe dessa vidinha medíocre q estou levando por um tempo… Pena q só enquanto a leitura seguia.
    ‘-‘

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  2. Obrigada, Mara, eu tive uma infância maravilhosa e minha avó foi uma pessoa iluminada que tive a honra e o privilégio de conviver, conhecer e ser neta. Acho que o amor e a saudades me inspiraram.

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