Vamos

Ei, vamos andar por aí sem destino, a pé pelo meio da rua, olhando as estrelas, ou a lua, com as mãos nos bolsos, cabelos soltos, cabeça prá trás.

Vamos rir e sorrir e se chover, receber a chuva na cara, se ventar sentir o vento roçando as bochechas, se estiver frio, vamos assoprar e ver o vapor. Se estiver calor, vamos andar descalços e com as roupas leves, vamos!

Vamos de mãos dadas, vamos sem preocupações, sem pensar em mais nada, apenas vamos, vamos conversar sobre tudo, tudo o que está preso aqui dentro, me conte tudo sobre você, vou contar tudo sobre mim, vamos.

Vamos brindar, com cerveja, com vinho, com água, vamos perder os sentidos, caminhando por essa rua de pedras, de terra. Vamos chegar até o mar e olhar pro horizonte, vamos ver os navios, vamos caminhar na areia dessa praia sem fim, dizem que ela é uma estrada, vamos parar e pegar as conchas, vamos atirar uma concha no mar. Vamos tentar encaixar nossos pés nas pegadas dos outros. Vamos fazer barulho com os pés na areia fininha, branquinha. Vamos apostar uma corrida, um dois três, vamos.

Vamos, me conta porque você gosta de frio, eu te conto porque gosto de calor. Vamos parar e dançar um pouco, adoro sambar, vamos cantar bem alto até a gargantar arder aquela música dos beatles, ou aquela música de quando éramos crianças, vamos pular e chacoalhar a cabeça, os cabelos. Vamos desembaraçar meu cabelo, eu sento e você paciente desmancha os nós e vai me contando sua história, eu conto a minha. Conto quantos tios e tias eu tenho, e primos, tenho muitos, sabia? Conto histórias da família, conto meus livros preferidos, li muitos, leio muitos, amos meus livros, meu livro preferido? Adoro o Tempo e o Vento, gosto do Miguelin, ah o Miguelin! Grande sertão, lígia, o gato malhado e a andorinha sinhá, tão triste, amor impossível. Minha música? águas de março, lembrei do meu avô agora, das suas mãos grandes e do chocolate de moeda da lacta que ele me deu. Vinha num tubinho.

Vamos, estou ouvindo uma cantora da Islândia, que nem a Bjork, ela também tem aquela voz de criança, mas não se esgoela que nem ela. Chama emiliana torrini, tem umas letras muito bonitas, tão meigas. Me ajudaram nesse sansara que está minha vida. “hear the leaves applaud the wind”, tão lindo.

Vamos estou tão cansada, me dói ver meu pai tremer, vamos, vamos, vamos, vamos. Vamos………….

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s