Mistério do planeta

Vou mostrando como sou
E vou sendo como posso,
Jogando meu corpo no mundo,
Andando por todos os cantos
E pela lei natural dos encontros
Eu deixo e recebo um tanto
E passo aos olhos nus
Ou vestidos de lunetas,
Passado, presente,
Participo sendo o mistério do planeta

Antonio Pires, Luis Galvao

Hoje fiz um tur chamado Haunted Walk of Toronto. É um passeio noturno pelo centro histórico onde a guia para em alguns pontos para contar casos de assombração ocorridos ali. Lá pelas tantas, um morador de rua bêbado interrompe a moça e pede licença para falar. Os outros turistas fizeram um silêncio constrangido e contrariado. Achei que ele merecia mais consideração e respondi “Sim, claro!” Ele então conta uma história que envolve a mãe dele. Não entendi muito bem, mas apesar de bêbado, foi educado e finalizou pedindo alguns centavos. Peguei a primeira moeda que senti na carteira e dei. Era uma moeda de dois dólares. Ele agradeceu e se foi.

………………..

O passeio acabou às 9h30 da noite e eu ainda tinha uma caminhada de 20 minutos até o ponto do bonde (“streetcar” para os locais). Quando subi no bonde notei que não tinha moedas suficientes. O sistema só aceita moedas! Fiquei sem graça e me expliquei pro motorista. Ele era latino, português? Talvez, mas ele apenas me disse: “coloque as moedas que você tem e tudo bem!” Respirei aliviada e segui sendo “um moleque do Brasil, que peço e dou esmolas”, ou apenas o mistério do planeta! (Agora bota no último volume o solo de guitarra do Pepeu!)

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