O meu WordCamp Brasil – parte 2

Essa é a continuação do post anterior.

O Paulino Michelazzo, figura conhecida no meio do software livre me escreveu um email convidando a comunidade para participar do CMS Brasil, evento que teria a participação do Matt Mullenweg. Ele me pediu para indicar alguém para palestrar e mais alguém para participar de uma mesa redonda com o Matt depois da palestra dele. Indiquei o Leo Germani e me ofereci para a mesa redonda.

A Maya já havia me falado em dezembro que o Matt viria em junho pro Brasil, mas na época ainda não havia nenhuma informação a respeito na internet. Eu já havia comentado com ela, que confirmando a informação, eu organizaria o WordCamp nesse mesmo período para aproveitar a presença do Matt. Comentei com o Paulino a respeito, que se dispôs a nos ajudar no que fosse necessário. O anel voltou para o primeiro plano.

Falei com o Leo, que aceitou o convite para a palestra e que também se empolgou com o WordCamp. Ele ofereceu para fazermos no Hacklab, sede da empresa da qual ele é sócio. No dia 3 de abril fui até lá conhecer o local e trocar idéias a respeito. O local seria perfeito para um encontro pequeno de umas 60 pessoas no máximo, mas achávamos que talvez houvesse mais pessoas, não fazíamos idéia de quantas. Concordamos que o evento deveria se manter simples, ser gratuito, decidimos o dia, cogitamos espaços prováveis, ouvimos opiniões dos outros meninos e resolvemos lançar uma pré-inscrição para podermos ter idéia da quantidade de pessoas interessadas. Dei a mão pro Leo, que foi o meu Sam, com quem dividi o meu fardo, e pulamos de cabeça no WordCamp Brasil.

Daquele dia em diante mergulhei numa correria insana, numa montanha russa de emoções que durou longos dois meses e meio, em que dormi pouco, me preocupei muito, comi muito chocolate, emagreci 4 kilos, mas em que também me fortaleci, aprendi muita coisa e tive minha competência reconhecida por muitos e principalmente por mim mesma.

Depois que saí de lá, o Leo mandou um email pro grupo, iniciando os trabalhos e com o seguinte recado no final:

NOTA SOBRE TRABALHO COLABORATIVO: Organizar um evento assim colaborativamente é difícil. Se vc quiser ajudar, não pergunte, faça e ajude.

Lançamos o site e abrimos as inscrições. Ingênua decisão, ouça o que eu digo: nunca abra as inscrições de um evento que não tem local definido. Lição aprendida às duras penas. O fato do WordCamp ter sido marcado para um domingo já era obstáculo grande o suficiente para encontrar um local disposto a abrir suas portas (a data, dia 21 de junho foi escolhida em função da participação do Matt no CMS Brasil no sábado). Juntou-se a esse obstáculo a multidão de 300 pessoas que rapidamente se inscreveram pelo site em apenas duas semanas. Encerramos as inscrições e mantivemos uma lista de espera que continuou crescendo na mesma toada. Outra lição: feche o número de participantes em função do local que você tem e não o contrário.

Passado mais de um mês desde minha visita ao HackLab e a um mês e meio do evento e nada de fechar um local e somente com o patrocínio da HostNet. O desespero já estava começando a bater, quando o Guilherme do Xemelê me falou da possibilidade de se fazer na FUNARTE com apoio do MinC. No dia 3 de maio fui a São Paulo resolver assuntos de um freela, tinha uma reunião com o pessoal do CMS Brasil no hotel Jaraguá, prá ver se eles podiam me ajudar. Aproveitei para também ir até a FUNARTE conhecer o espaço e ver se dava para comportar os 300 inscritos. A reunião com o pessoal do CMS Brasil não foi muito animadora, prá dizer a verdade, saí de lá bem arrasada com a bronca que o Paulino me deu: “Menina, mas como é que você abre inscrição para um evento sem ter um local definido, você é louca?” Me senti de incompetente para baixo, a última pessoa na face da terra, a maior idiota do planeta. Na Funarte por uma certa falha de comunicação, saí com a impressão que as chances de se fazer lá eram mínimas. Depois de enfrentar o caos que é São Paulo em umas 3 horas no rush, cheguei finalmente em casa, desmontei na cama e chorei muito. Passei um final-de-semana horrível, quem me confortou como sempre foram meus amigos do coração, Vinícius e Heloize. O Vini me dando uma puta força no telefone: “Catita, mete bronca, você vai achar um lugar, sim, não tem essa não. Não deixa a peteca cair e vamos em frente”.

Na semana seguinte conversei com o Guilherme e a possibilidade de fazer na FUNARTE foi se confirmando. Nem tudo estava perdido, as negociações com os patrocinadores caminhavam bem. Enquanto isso, ajudada pelo Christiano da Comunidade Ubuntu também mantinha negociação paralela com a BandTec, caso não desse certo na Funarte. Finalmente no dia 15 de maio, a apenas um mês e cinco dias do grande dia, recebemos uma resposta positiva da Funarte, só faltava a gente ir até lá novamente para acertar detalhes. Fomos até lá no dia 18, eu e Leo, conversamos com o Roberto Marti e com a atriz Esther Goes. Tudo lindo, respirei aliviada. Saímos de lá e fomos até o apartamento do Leo todos felizes, escrevemos o post anunciando a novidade. Respondi a BandTec dispensando eles porque tínhamos fechado com a FUNARTE.

Quando tudo parecia estar entrando finalmente nos eixos, fico sabendo que teríamos que pagar à FUNARTE um alguel. “Como assim, um alguel? Não era para ser um apoio do MinC?” Era e não era. O valor do aluguel, que não vou divulgar aqui, estava completamente fora dos nossos planos. E voltamos às negociações, intermediada pelo José Murilo, que me apoiou muito nisso tudo. Conseguimos chegar a um valor que se tudo desse certo com os patrocinadores conseguiríamos pagar. Mas no caso de não dar certo, voltamos a negociar com a BandTec. O Maurício Pimentel coordenador da faculdade foi 100%, super compreensivo e aceitou renegociar, mesmo depois de nós os termos dispensando uma vez. Fomos até lá, eu e Leo novamente, numa sexta-feira, dia 22 de maio a menos de um mês do grande dia, conhecer as instalações. Teria que ser uma coisa meio adaptada, na quadra de esportes porque o auditório era pequeno, mas dava prá ser lá. Havia um porém: a internet. Por motivos de segurança, a BandTec não poderia permitir o uso do seu link. Teríamos que pagar um link dedicado. Caríssimo. E também dependíamos da resposta da diretoria, tanto podia ser um sim como um não, somente na semana seguinte.

A menos de um mês do evento, mais um fim-de-semana horrível, de incertezas e crises de choro. Tudo muito complicado e cheio de variantes, se tal patrocinador aceitar pagar x dá prá pagar a Funarte, mas se não fechar tem que ser na Bandtec, mas lá depende se vamos ter ou não um link dedicado, e se a diretoria disser não? E aquele patrocinador mala que quer tudo e não quer pagar nada, dispenso ele? Mas a gente precisa de grana! Minha cabeça girava que nem um pião, não conseguia dormir, tomava um monte de calmante, natureba, é claro, aí não dormia à noite e ficava que nem zumbi de dia. Um pesadelo sem fim. Todas as negociações com patrocinadores estavam nas minhas costas, todas as decisões nas minhas mãos. Eu ia dividindo um pouco com o Leo, ele ia me aconselhando, me ajudando, mas as decisões finais e as conversas eram todas comigo. Eu, que sou um poço de timidez, eu, que odeio negociar, eu, que odeio cobrar, negociando com essa gente que faz disso seu ganha-pão. Depois numa conversa com a Lucia Freitas, fiquei sabendo que saí com fama de dura na queda. Uau! Pode vir quente, minha gente, que eu tô fervendo!

Mais uma semana se passou e nada de definir local, dependia dos diretores da BandTec e da gente conseguir orçamento do link dedicado, e nenhuma empresa passava o maldito orçamento. Até que passou: R$3.400,00 por um link de 2M!!!!!! Pelo menos alguns patrocínios foram fechados, o que me deu mais tranquilidade. Mesmo assim, chegou quinta-feira, dia 28, meu aniversário, nunca passei um aniversário tão xoxo, tão foda como esse. Nem quis bolo nem nada, “ficaria contente se essa droga de WordCamp sumisse da minha vida agora!”. Era o que eu pensava. As pessoas me davam parabéns e eu pensava: “porque?” E lá fui eu a caminho de mais um final-de-semana de horrores e indecisão.

Finalmente, na segunda-feira o Pimentel me dá uma resposta: não. Rir prá não chorar, é, não dava prá ser na BandTec, mas calma, calma, nem tudo está perdido, “vamos patrocinar vocês”. Enfim, vamos prá FUNARTE e seja o que Deus quiser, com mais esse patrocínio vai dar tudo certo. Sim, se não fosse por um detalhe: na Funarte também não tem internet, também teríamos que pagar o link dedicado, só que lá, a empresa com quem tínhamos orçado o link, não possui sinal. Ótimo, vamos procurar outra, ok, só que na outra, o link de 2m custa mais de R$5.000,00. Putz, vamos pedir ajuda prá Automattic. Legal!! …………………………………………………………………..cricricricri. Nada da Maya me responder, catso, o que está acontecendo?

Bom nesse meio tempo recebo a “ótima” notícia que o Andy Peatling não viria mais. Tá brincando, né? É, o rapaz demorou prá ver o visto e quando foi ver não dava tempo de emitir. Não vou comentar o que penso.

Ok, ok, finalmente, no dia 5 de junho, a duas semanas do grande dia recebo um email da Maya, eeee a Automattic vai patrocinar a gente?

Hi Catia,

I hope WordCamp Brazil planning is going well.  If you need anything at all, please let me know.

Unfortunately, Matt won’t be able to make it since he’s had something urgent come up.

We really apologize for this and hope it doesn’t cause too much of a disruption.

Confesso, levei uma hora prá aceitar: Unfortunately, Matt won’t be able to make it since he’s had something urgent come up. Unfortunately, Matt won’t be able to make it since he’s had something urgent come up. Unfortunately, Matt won’t be able to make it since he’s had something urgent come up. Unfortunately, Matt won’t be able to make it since he’s had something urgent come up. Nãããããããããããooooooo, nãããããooooo, não. Não. Parecia um pesadelo. Depois levei mais cinco horas escrevendo um email prá o Matt implorando pelamordedeus, venha! Liguei pros caras do CMS Brasil e eles não sabiam nada a respeito. O que eu faço meu Deus, o que eu faço? Choro, isso choro. Deito na cama e choro, não tá resolvendo, não, não tá. O que eu faço?

Escrevi um email desesperada pro Zé Fontainhas, meu santo padroeiro da comunidade Brasileira, só você pode me salvar agora!!

To be continued…

3 comentários sobre “O meu WordCamp Brasil – parte 2

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